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Bob Dylan e Rubin Carter: a triste e verdadeira história por trás de Hurricane

Lançada em 1976, a música "Hurricane" detalha a prisão injusta do lutador de boxe Rubin Carter

@isafrasinelli | Publicado em 01/12/2021, às 11h56 - Atualizado às 11h57

Rubin Carter e cantor Bob Dylan, que cantou a história do lutador de boxe na música "Hurricane" - Getty Images
Rubin Carter e cantor Bob Dylan, que cantou a história do lutador de boxe na música "Hurricane" - Getty Images

“Aí vem a história do Furacão. O homem que as autoridades culparam por algo que ele nunca fez. Colocado em uma cela de prisão, uma vez que ele poderia ter sido o campeão do mundo”. É assim que Bob Dylan inicia a narrativa de Hurricane, música lançada em 1976 no álbum Desire. O “furacão” mencionado pelo cantor é Rubin Carter, lutador de boxe vítima de uma prisão injusta em 1966, quando foi acusado de matar três homens brancos em um bar de Nova Jersey. No Backstage HFTV de hoje, te contamos a a triste e verdadeira história por trás de Hurricane.

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Indignado com a situação do pugilista, Bob Dylan se juntou a Jacques Levy para contar a história de Rubin Carter na faixa, detalhando o suposto “crime” e o julgamento racista. A canção se tornou um símbolo da luta pela liberdade deste homem, condenado à prisão perpétua por um crime que não cometeu. 

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QUEM FOI RUBIN CARTER

Quarto de sete filhos, Rubin Carter nasceu no ano de 1937 em Clifton, cidade localizada em Nova Jersey. Antes da prisão que inspirou o trabalho de Dylan, o americano foi condenado ao reformatório juvenil por agressão, quando tinha 11 anos. Ele escapou do local e posteriormente se alistou no exército. Após ser dispensado do Exército, chegou a ser preso e condenado por dois assaltos na vida civil.

Carter deixou a prisão em 1961, quando se dedicou à carreira no boxe. Foi nesta época em que ele ficou conhecido como “furacão”, já que saía vitorioso de várias lutas após nocautear seus adversários. Ele atuou como pugilista até 1966, quando foi preso injustamente diante de um cenário em que “poderia ter sido o campeão do mundo”, como o músico aponta na faixa.

DA ACUSAÇÃO AO JULGAMENTO

Rubin Carter e seu amigo John Artis foram presos por um triplo homicídio ocorrido em um bar de Nova Jersey. Apesar da dupla ter negado o ato e das diversas inconsistências presentes na acusação, três testemunhas do crime corroboraram para que eles fossem condenados: Alfred Bello, Arthur Dexter Bradley e Patty Valentine - nomes que são mencionados ao longo da canção de Bob Dylan.

O cantor destaca como todo esse processo foi marcado pelo racismo: “Se você for negro, talvez seja melhor nem aparecer na rua. A menos que queira ser enquadrado”. E o julgamento não foi diferente. Carter e Artis, eram negros, enquanto todo o juri que colaborou para a sentença de prisão perpétua aos homens era formado por brancos.

Todas as cartas de Rubin foram marcadas com antecedência
O julgamento foi um circo de porcos, ele nunca teve chance
O juiz desqualificou as testemunhas de Rubin
Como bêbados das favelas
E para os brancos que assistiam
Ele era um marginal revolucionário
E para os negros, só mais um preto louco
Ninguém duvidou que ele puxou o gatilho
E embora não conseguissem ter provas da arma
O promotor público disse que era ele o responsável
E o júri todo branco, concordou

Em 1974, o lutador publicou sua primeira autobiografia, intitulada The Sixteenth Round. A obra retratava os eventos de sua vida que levaram a prisão injusta e os anos que já havia passado atrás das grades tentando provar sua inocência.

Artis passou 15 anos na cadeia antes de garantir sua liberdade. Já Carter permaneceu preso por 20 anos, sendo solto apenas em 1985, quando sua pena foi anulada. 

Essa é a história do Furacão
Mas não vai ter fim até limparem seu nome
E o ressarcir pelo tempo de pena
Colocado em uma cela de prisão
Uma vez que ele poderia ter sido
O campeão do mundo

OS BASTIDORES DA MÚSICA

Tocado pela causa em prol da liberdade de Rubin, Bob Dylan já havia participado de protestos que clamavam por justiça. Contudo, foi apenas quando entrou em contato com o livro do pugilista que se mobilizou para escrever a histórica Hurricane. Na época, o cantor chegou até a visitar o lutador na cadeia. 

Fotos de Rubin Carter e Bob Dylan
Rubin Carter e Bob Dylan na cadeia em 1975 e, posteriormente, durante encontro em 2013

A letra da canção nasceu da parceria de Dylan com Jacques Levy, compositor e diretor de teatro. A versão final da composição apresenta mais de 100 versos, que retratam de forma crítica a prisão de Carter - o que chegou a preocupar a então gravadora do artista, a CBS Records International.

Entre as apreensões estava a utilização dos nomes verdadeiros de todos, inclusive das testemunhas. Com medo de receber processos, a empresa chegou a contratar um perito para verificar os depoimentos e checar se todos os fatos eram corretos. Ainda assim, a gravadora decidiu cortar alguns dos versos da canção para manter a narrativa mais oficial possível. 

VIDA NA LIBERDADE

Após ser inocentado do crime que não cometeu, Rubin Carter foi morar em Toronto, no Canadá, onde permaneceu lutando como ativista da libertação de presos injustiçados. Em 2011, escreveu sua segunda autobiografia, chamada Eye Of The Hurricane: My Path From Darkness To Freedom. Ele faleceu aos 76 anos em 2014, após uma batalha contra o câncer de próstata.

Além de Bob Dylan, Carter também inspirou a criação de um filme sobre sua história. Lançado em 1999, o longa The Hurricane foi dirigido por Norman Jewison (Feitiço da Lua) e trazia Denzel Washington como protagonista interpretando lutador. O trabalho do ator lhe rendeu uma indicação ao Oscar e um prêmio no Globo de Ouro.


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