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5 anos de Melodrama e por que Lorde merecia o Grammy de Álbum do Ano

No aniversário de Melodrama, relembramos aquele que foi um dos discos mais memoráveis da indústria pop

@nicolybastos_| Publicado em 24/06/2022, às 17h40

5 anos de Melodrama e por que Lorde merecia o Grammy de Álbum do Ano - Divulgação
5 anos de Melodrama e por que Lorde merecia o Grammy de Álbum do Ano - Divulgação

Completando cinco anos neste mês, o segundo álbum de Lorde, conhecido pelo mundo como Melodrama, falou de sentimentos fortes e por vezes difíceis de suportar enquanto se os vive: navegando em seu primeiro término de relacionamento inesperado, a cantora faz malabarismos sobre como é se sentir livre, determinada e confusa ao mesmo tempo.

Produzido pelo aclamado compositor e vocalista do Bleachers, Jack Antonoff,Melodrama foi a ferramenta que Lorde usou para iluminar sua dor e estender a mão para aqueles que podiam estar passando por uma jornada semelhante. Ela jogou seu desgosto na pista de dança e respirou um brilho verdadeiramente neon e transformador para a construção de um projeto inspirador. “Quando você superou um amante / O mundo inteiro sabe menos você”, ela cantou na faixa Hard Feelings, incentivando os ouvintes a serem generosos consigo mesmos.

Lorde no clipe de Greenlight

Liability, por sua vez, capturou a nobreza da solidão, sentimento inerente em qualquer um: "Todo verão perfeito está me comendo vivo até que você se vá / Melhor sozinho". As músicas de Melodrama, no geral encadeadas com uma narrativa de se viver sozinho até o início da idade adulta, vacilando um pouco menos a cada passo, fez os jovens se sentirem vistos e ouvidos.

Na época de seu lançamento, o álbum foi aclamado e Lorde consagrada como uma grande cantora pop - e verdadeira voz de toda uma geração, já que inspirou, e ainda inspira, muitas outras a fazerem música. No entanto, o grande marco instantâneo, não foi suficiente para levar o maior prêmio da indústria musical, a.k.a Grammy e isso revolta os amantes de boas canções até os dias de hoje. 

Hot take: Melodrama definitivamente merecia o Grammy De Melhor Álbum do Ano.

Nada contra Bruno Mars, quem levou a melhor em 2018, com o álbum 24k Magic. Mas no domingo, 28 de janeiro, quando a CBS exibiu o 60º Grammy Awards o resultado foi no mínimo decepcionante. Não é de hoje que sabemos que mulheres não tem o mesmo espaço que homens. E se forem jovens então... e cantando sobre juventude? As oportunidades são ainda menores.

Todos os principais prêmios concedidos, exceto Melhor Artista Revelação, que foi para Alessia Cara, foram para homens. Todos os indicados masculinos para Álbum do Ano se apresentaram ou pelo menos tiveram a oportunidade de se apresentar, enquanto Lorde, que era a única mulher indicada, nem sequer teve uma chance.

Quando os executivos do Grammy foram questionados sobre o motivo pelo qual ela era a única sem a prestigiosa oportunidade, eles alegaram que era “difícil ter um show equilibrado”. Como último prego no caixão, o prêmio de Álbum do Ano foi para o grande vencedor da noite, o álbum de 2016 de Bruno Mars, 24K Magic.

Embora precisemos, também, apreciar o trabalho de Mars, a vitória parece zero merecida. Na época de seu lançamento, o álbum foi recebido com críticas bastante duras, recebendo principalmente 3 de 5 avaliações de estrelas dos críticos no geral. O site MetaCritic só deu ao álbum uma pontuação de 70/100.

Enquanto isso, o álbum de Lorde recebeu alta aclamação da crítica. Dez revistas especializadas diferentes classificaram o álbum como o melhor de 2017. Ele também recebeu várias classificações de 5 estrelas os críticos. MetaCritic deu ao álbum um 91/100, o que é bem difícil de alcançar.

Talento, coesão e aclamação

O trabalho de Lorde e seu co-roteirista Jack Antonoff em Melodrama é nada menos que brilhante, fato. A dupla escreveu todas as músicas juntas sem ajuda, exceto pela faixa Homemade Dynamite, que foi uma colaboração com a cantora e compositora Tove Lo. Enquanto Bruno Mars ajudou a escrever todas as músicas em 24K Magic, pelo menos quatro outros co-autores foram necessários para cada faixa.

Melodrama fica conhecido como a captura da jornada de amor e relacionamentos durante a juventude. Sua abertura, com Green Light resume bem a tentativa de superar um rompimento, enquanto The Louvre retrata um típico romance de verão relâmpago. Músicas como Sober e Homemade Dynamite destacam a incerteza que você sente quando não é exclusivo com alguém.

Writer in the Dark e Liability são baladas impressionantes que mostram mais do desgosto que se sente durante o final da adolescência e início dos 20 anos. Supercut é contado do ponto de vista de olhar para um relacionamento passado e ver onde deu errado. E a faixa mais longa do álbum, Hard Feelings/Loveless apresenta uma das maiores letras do álbum: "Eu me importo comigo, do jeito que eu costumava me importar com você".

Muito mais do que um álbum de término

E se, por fim, você é uma daquelas pessoas que torce o nariz para álbuns sobre términos, a própria Lorde falou que o Melodrama é muito mais do que só isso. Em uma entrevista aprofundada com o New York Times na época, a cantora discutiu a criação do álbum, falando mais sobre o verdadeiro conceito e significado do álbum.

Lorde terminou com o boy em 2015, algo que apresentou uma perspectiva nova, embora dolorosa, para suas composições: "Depois que seu coração está partido, a música entra em você em um novo nível ", disse ela. E embora o desgosto possa ter feito parte de sua composição, a artista enfatizou o fato de que o projeto não é um "álbum de separação", mas sim "um disco sobre estar sozinha. As partes boas e as partes ruins".

Ao reformular o Melodrama como um álbum que explora as complexidades de ser solteiro, em vez de ser um álbum focado apenas em uma deislusão amorosa, Lorde está celebrando o eu, em vez de analisar um amor perdido.

Melodrama é o estudo da neozelandesa sobre ser uma jovem que encontra sua própria convicção em circunstâncias instáveis, como um término e uma festa estridente em casa. O romance é apenas parte do roteiro do álbum. No curso emocionante do projeto, escrito em grande parte quando Lorde tinha 18 e 19 anos, sua verdadeira recompensa vem com o abraço de si mesma. Como um aceno para um pop mais claro, sua paz está em aceitar que ela, às vezes, acabará dançando sozinha.

Lorde em Greenlight